Não existe em Portugal um único total oficial da ACP ou da DECO Proteste para o custo anual de um carro — os dois publicam tabelas e simuladores por componente, não uma cifra final. Por isso construímos a nossa própria conta a partir de números verificados: um SUV compacto novo sai a cerca de 0,43 € por quilómetro, com a perda de valor a pesar 37% do total — mais do que o combustível. Um usado sem crédito, guardado muitos anos, fica perto dos 0,38 €. Abaixo: de onde vem cada linha, como calcular o seu próprio carro e uma calculadora que faz as contas por si.
Pergunte a um condutor quanto custa o seu carro e ele vai falar-lhe da gasolina — a única linha que chega num talão todas as semanas. Pergunte a um contabilista e ele vai falar-lhe da linha que nunca chega em talão nenhum: os cerca de 200 € por mês que o carro perde de valor em silêncio, estacionado à porta de casa. Nos Estados Unidos há a AAA, na Alemanha o ADAC, na Rússia o НАПИ — cada um publica um total anual de referência. Em Portugal, nem a ACP nem a DECO Proteste o fazem: o que existe são tabelas de impostos, um simulador por quilómetro e estimativas de imprensa que vão de pouco mais de 3 000 € a mais de 13 000 € sem revelar a metodologia. Este artigo junta as seis linhas a partir de fontes verificadas — o prémio médio de seguro da APS, a tabela da IPO, o preço da gasolina da DGEG — e monta o nosso próprio exemplo em vez de citar um número que não existe; depois mostra como construir o mesmo cálculo para o seu carro. No final vai saber quanto lhe custa um quilómetro, que linhas pode mesmo mudar, e porque é que o carro mais caro por quilómetro na maioria das casas é o que menos anda.
Não há um total oficial de custo anual do carro em Portugal#
A ACP publica a tabela do IUC e os preços da IPO, não uma conta final. O simulador da DECO Proteste compara combustível e manutenção por componente — e por quilómetro, não por ano. Sem nenhuma das duas a divulgar um total, a imprensa preenche o vazio com estimativas que não se entendem entre si: perto de 3 900 € por ano segundo um cálculo com base em dados do PORDATA, mais de 13 000 € segundo «um estudo internacional» que nenhuma fonte identifica, ou uma faixa de 3 000 a 8 000 € por ano para um carro a combustão segundo um blogue de um concessionário. Nenhuma revela a metodologia nem a quilometragem assumida, e o próprio intervalo — de menos de 4 000 a mais de 13 000 € — é demasiado largo para servir de referência a alguém. Por isso a forma da conta importa mais do que qualquer total citado:
Duas coisas saltam à vista. A linha maior é também a única que nunca aparece num extrato bancário até ao dia em que vende o carro. E as duas linhas de que mais se fala — combustível e reparações — cabem dentro de um bloco mais pequeno do que a perda de valor sozinha. É por isso que os conselhos que poupam dinheiro a sério raramente são sobre conduzir com suavidade.
As seis linhas da conta#
1. Perda de valor — a maior linha, e a que ninguém vê
Não há um estudo português equivalente ao americano, mas a mecânica é a mesma em qualquer mercado: quem compra novo absorve a queda de valor mais íngreme. A referência internacional mais citada — o estudo iSeeCars de 2026, sobre quase um milhão de carros de cinco anos nos EUA — encontra uma perda média de 41,8% em cinco anos; o nosso próprio exemplo, um SUV compacto que desce de 28 000 € para 16 000 € no mesmo período, perde 42,9% — praticamente a mesma proporção. É também a linha mais desigual ao longo do tempo: o primeiro ano leva a fatia maior, o quarto ao oitavo a menor, o que é todo o argumento a favor do carro usado a que voltamos mais abaixo. Não aparece em nenhum extrato mensal, mas é por causa dela que um carro de 35 000 € e um de 22 000 € com o mesmo consumo custam várias centenas de euros por mês de diferença.
2. Combustível — a linha que todos seguem
É a linha mais visível e a mais fácil de calcular com honestidade: quilómetros vezes o consumo real, vezes o preço do litro. À média nacional da gasolina simples 95 — entre 2,07 e 2,09 € por litro segundo a DGEG na semana de 14 a 20 de setembro de 2026 —, um carro com um consumo real de 6,5 l/100 km gasta cerca de 2 038 € por ano a 15 000 km. O parque automóvel português continua fortemente a gasóleo, que custa tipicamente menos por litro do que a gasolina; quem faz muitos quilómetros por ano ainda tende a sair a ganhar com um motor a gasóleo, apesar do IUC ligeiramente mais alto que lhe costuma ser aplicado. O erro mais comum é usar o valor homologado WLTP em vez do real — que costuma ficar 15–30% acima —, e já mostrámos como medi-lo com dois depósitos cheios.
3. Seguro automóvel — a única com uma média oficial
O prémio médio do seguro obrigatório de responsabilidade civil foi de 285,6 € em 2024, segundo a APS (Associação Portuguesa de Seguradores) — um aumento de 7,1% face a 2023, sobre cerca de 8,9 milhões de veículos segurados. Essa é a média de um seguro só de responsabilidade civil; com danos próprios — a cobertura que a maioria escolhe num carro novo ou financiado — o prémio sobe bastante, tipicamente para algo entre 400 e 700 € por ano consoante a idade do condutor, a zona e o histórico, com o nosso exemplo a usar 550 €. Num carro antigo e já pago, vale a pena pedir cotação a cada renovação e perguntar se ainda compensa manter os danos próprios.
4. Manutenção, reparações e pneus — a linha que cresce com a idade
Num carro novo, seguir o plano de manutenção do fabricante mais um jogo de pneus fica normalmente por algumas centenas de euros por ano — 750 € no nosso exemplo, pneus incluídos, cerca de 12% do orçamento. A linha cresce com a idade: segundo estimativas da CarEdge sobre o parque automóvel norte-americano — não há um equivalente português tão detalhado, mas a tendência é a mesma em qualquer mercado —, a manutenção custa cerca de 1,5 vezes a de um carro novo entre os quatro e os sete anos, 2,2 vezes entre os oito e os onze, e 2,8 vezes depois dos doze — e a marca pesa tanto como a idade. Os pneus são o que se esquece: um jogo de quatro num tamanho comum como 205/55 R16 custa à volta de 250 a 350 € e dura cerca de 40 000 km nos testes do ADAC alemão, ou seja, quase um cêntimo por quilómetro só em borracha. O checklist de manutenção por quilometragem é o ritmo que esta linha deve seguir, e o nosso guia sobre golpes de oficina mecânica é o que a mantém dentro desses limites.
5. IUC e IPO — o imposto e a inspeção obrigatória
A linha mais pequena e a mais difícil de calcular à distância. O IUC (Imposto Único de Circulação) tem as taxas de 2026 congeladas aos níveis de 2024/2025 — mas o valor exato para um gasolina de 1,0 a 1,5 litros matriculado a partir de 2018 não é um número único e público de forma simples; conte com algo à volta de 100 a 200 € por ano nesse escalão, aproximado. Desde julho de 2026, uma decisão do Conselho de Ministros passou a exigir que todos os proprietários paguem até fevereiro, independentemente do mês de matrícula. A IPO (Inspeção Periódica Obrigatória) tem um valor fixo e público: 37,47 € em 2026 para ligeiros, uniforme em todos os centros autorizados pelo IMT, segundo a Deliberação n.º 1598-A/2025. No nosso exemplo, IUC mais IPO somam 180 € por ano.
6. Crédito, portagens e estacionamento — as linhas que ninguém conta
Os juros de um crédito automóvel existem só por causa da forma como o carro foi comprado, e desaparecem por completo com uma entrada maior ou um carro mais barato — o nosso exemplo assume um carro pago a pronto, sem crédito. Depois há as linhas que não entram em nenhum orçamento mental: as portagens da Via Verde — Lisboa–Porto pela A1 ronda os 25 € só de ida —, o estacionamento, a lavagem, a assistência em viagem. Uma a uma são pequenas; juntas, no nosso exemplo, somam 600 € por ano — mais do que um jogo de pneus. A única forma de as ver é anotá-las.
Comparação: quanto custa o quilómetro em cada cenário#
| Carro, cenário | Por ano | Por quilómetro | O que explica o número |
|---|---|---|---|
| Faixa citada na imprensa portuguesa (sem fonte oficial) | 3 000 – 8 000 €* | 0,20 – 0,53 €* | Nenhuma fonte divulga a metodologia nem a quilometragem assumida |
| O nosso exemplo (SUV compacto novo, 28 000 €, 5 anos) | 6 518 € | 0,43 € | A perda de valor pesa 37% do total |
| O mesmo carro, 5 000 km/ano | 5 159 € | 1,03 € | O mesmo bloco fixo dividido por um terço dos quilómetros |
| Compacto de 6 anos, guardado 8 anos, sem crédito | 5 652 € | 0,38 € | A parte mais íngreme da perda de valor já foi paga pelo primeiro dono |
* Intervalo aproximado citado por um blogue de concessionário para um carro a combustão, sem fonte oficial única nem divulgação da quilometragem assumida — apresentado apenas como contexto, não como referência; ver a secção acima. As restantes três linhas são o nosso cálculo pelo exemplo e pela calculadora abaixo, com gasolina a 2,09 €/l.
Como calcular o custo por quilómetro do seu carro#
O número nacional — quando existe — é uma referência. O seu vem de seis números que já tem, ou que arranja numa noite:
- Perda de valor: quanto pagou, menos quanto o carro valerá quando o vender, a dividir pelos anos que o vai guardar. Para o valor de revenda, procure anúncios do seu modelo com três a cinco anos a mais — esse é o seu carro no futuro.
- Combustível: os quilómetros do ano (o odómetro, ou a diferença entre duas renovações) a dividir pelo seu consumo real e a multiplicar pelo preço que paga. O registo de abastecimentos tem os três números.
- Seguro: o prémio anual da apólice, não o valor mensal que tem de cabeça.
- Manutenção e pneus: os recibos do ano passado, ou os itens do plano de manutenção para o próximo ano mais um quinto de um jogo de pneus. Acrescente 20% para o imprevisto.
- IUC, IPO e taxas: o imposto único de circulação, a inspeção periódica obrigatória, e qualquer taxa pontual diluída pelo tempo de posse.
- Tudo o resto: portagens, estacionamento, lavagens e os juros do crédito do ano, se houver um. Veja o extrato de um mês e multiplique por doze.
Some e divida pelos quilómetros. A calculadora abaixo faz as contas e mostra qual a linha que domina; vem pré-preenchida com um SUV compacto realista, para ver como é um orçamento «normal» antes de substituir os números pelos seus.
Quanto custa o seu carro ao quilómetro
- Custo por quilómetro
- 0,43 €
- Por mês
- 543 €
- Por ano
- 6518 €
Pré-preenchido com um SUV compacto por 28 000 €, guardado cinco anos a 15 000 km/ano, revendido por 16 000 €, 6,5 l/100 km reais, gasolina a 2,09 €. Substitua cada número pelo seu; nada fica guardado.
Fixo e variável: porque é que o carro parado é o mais caro#
Separe o orçamento pelo que muda quando conduz mais um quilómetro. O combustível é a grande linha variável — cerca de 0,14 € por quilómetro no nosso exemplo. Tudo o resto — perda de valor, seguro, manutenção, IUC, IPO, portagens e estacionamento — mantém-se praticamente fixo: 4 480 € por ano, quer o carro ande quer durma na garagem. Divida esse bloco fixo pelos quilómetros, e a aritmética torna-se implacável: a 15 000 km/ano, acrescenta cerca de 0,30 € a cada quilómetro; a 5 000 km/ano, cerca de 0,90 €. O segundo carro da casa, o que passa a maior parte do tempo parado, costuma ser o mais caro por quilómetro de tudo o que a família possui, e um TVDE ou um aluguer de fim de semana sai muitas vezes mais barato do que mantê-lo seguro e a perder valor. Depois de cerca de 20 000 km por ano, a curva volta a achatar-se, porque a quilometragem volta a alimentar a perda de valor e a manutenção.
Novo ou usado: onde a curva chega ao fundo#
A perda de valor concentra-se no início, a manutenção no fim — as duas curvas cruzam-se. Os primeiros três anos levam a queda de valor mais acentuada e o mínimo de reparações; a partir dos doze anos a perda de valor é quase nula mas a manutenção custa, segundo a CarEdge, quase três vezes a de um carro novo. Entre os dois, aproximadamente dos três aos oito anos, um carro generalista está no seu ponto mais barato por quilómetro: o primeiro dono já pagou a parte mais íngreme da curva, o seguro é mais barato num carro mais barato, e as reparações ainda custam cerca de 1,5 vezes as de um carro novo. O nosso próprio exemplo ilustra-o além dessa janela: um compacto de seis anos comprado por 14 000 €, guardado mais oito anos sem crédito, sai a cerca de 5 652 € por ano, 0,38 € por quilómetro — menos do que o SUV novo do nosso exemplo, apesar de uma manutenção mais alta, porque a perda de valor anual cai para 1 375 €.
Elétrico, híbrido ou gasolina: o que custa menos por quilómetro?#
Três fontes sérias, que não concordam entre si, porque medem coisas diferentes. AAA, EUA, posse completa: um sedan elétrico médio custa 13 662 $ por ano contra 10 582 $ para o equivalente a gasolina — mais 29% —, porque a sua perda de valor é cerca do dobro, apesar de a carga em casa sair 66–70% mais barata por quilómetro do que a gasolina; os híbridos são, neste estudo, a categoria mais consistentemente competitiva. ADAC, Alemanha, cinco anos: à tarifa doméstica, o elétrico ganha por quilómetro; nos carregadores rápidos públicos, perde — o resultado depende da tomada. ICCT, União Europeia, custo de utilização: os elétricos custam cerca de um terço menos a andar do que os a gasolina, mesmo para quem só carrega em rede pública. Em Portugal, o simulador da DECO Proteste aponta na mesma direção — carregar em casa sai claramente mais barato do que abastecer a gasolina, ou até do que carregar na rede pública —, mas não publica um total anual comparável. O padrão por trás do desacordo é sempre o mesmo: um elétrico ganha em cada linha variável e perde na maior linha fixa, por isso quanto mais tempo o guardar e mais quilómetros fizer, melhor ele fica — e um elétrico usado de três anos, que já absorveu o maior golpe na perda de valor, é uma proposta bem diferente de um novo.
Sete formas de reduzir mesmo o custo por quilómetro#
- Guarde o carro mais tempo. Cada ano depois do quinto espalha o mesmo preço de compra por mais quilómetros; o carro mais barato por quilómetro é o que já tem, até a curva de manutenção dizer o contrário.
- Peça nova cotação de seguro a cada renovação. É a linha que mais sobe, e vinte minutos a comparar rotineiramente poupam uma centena de euros ou mais.
- Conduza pelo seu consumo real. Meça-o, depois atue: velocidade, viagens curtas e pressão dos pneus valem 10–20% da linha do combustível.
- Pague o plano, não o extra. O intervalo do fabricante, uma segunda opinião sobre qualquer orçamento de quatro dígitos, e nenhuma «limpeza de injetores» de compadrio.
- Compre o carro mais pequeno. O preço puxa ao mesmo tempo a perda de valor, o seguro e os pneus — o SUV de sete lugares para duas viagens por ano custa mais do que alugar um só para essas duas viagens.
- Encurte o crédito ou dispense-o. Os juros não compram nada e desaparecem por completo sem ele.
- Anote tudo durante um ano. As linhas que ninguém conta só encolhem depois de se tornarem visíveis; a maioria encontra várias centenas de euros no bloco «outros» da primeira vez que o soma.
Para uma viagem longa, o mesmo número por quilómetro é o orçamento honesto — não só a gasolina, mas também a perda de valor e os pneus que os quilómetros consomem. O nosso calculador de custo de viagem trata da parte do combustível com o seu consumo real; para um modelo em concreto, o levantamento do consumo real e das falhas do Toyota RAV4 mostra como estas linhas se comportam num carro muito comum, e o catálogo de carros (em inglês) que alimenta a aplicação lista os pontos de falha conhecidos, modelo a modelo.
Perguntas frequentes#
Quanto custa ter um carro por quilómetro em Portugal?
Não há uma cifra oficial única — nem a ACP nem a DECO Proteste publicam um total anual, só tabelas de impostos e um simulador por componente. A imprensa cita valores que vão de pouco mais de 3 000 € a mais de 13 000 € por ano sem explicar o método, o que diz mais sobre a falta de dados do que sobre o custo real. No nosso próprio exemplo, um SUV compacto novo (Peugeot 2008 ou Renault Captur) sai a cerca de 0,43 € por quilómetro a 15 000 km/ano; um usado de seis anos sem crédito fica perto dos 0,38 €.
Qual é a maior despesa de possuir um carro?
A perda de valor — a depreciação automóvel. No nosso exemplo pesa 2 400 € de 6 518 € totais, 37% da conta, mais do que o combustível e a manutenção juntos. A referência internacional mais citada, o estudo iSeeCars de 2026 nos EUA, encontra uma perda média de 41,8% em cinco anos — muito perto dos 42,9% do nosso próprio exemplo. É a única linha que nunca aparece num extrato até ao dia em que vende o carro.
Quanto custa o seguro automóvel por ano em Portugal?
Em média, 285,6 € em 2024 para a responsabilidade civil obrigatória, segundo a APS (Associação Portuguesa de Seguradores) — um aumento de 7,1% num ano. Com danos próprios, a cobertura mais comum num carro novo ou financiado, o prémio sobe bastante, tipicamente para 400–700 € por ano consoante o condutor e a zona; o nosso exemplo usa 550 €. Num carro antigo já pago, vale sempre a pena perguntar, a cada renovação, se ainda compensa manter os danos próprios.
É mais barato comprar um carro novo ou usado?
Normalmente um carro entre os três e os oito anos. O primeiro dono já pagou a parte mais íngreme da perda de valor, o seguro é mais barato num carro mais barato, e as reparações ainda custam cerca de 1,5 vezes as de um carro novo — só depois dos doze anos sobem para perto de 2,8 vezes. No nosso próprio exemplo, um compacto de seis anos comprado por 14 000 € e guardado mais oito, sem crédito, sai a 0,38 € por quilómetro — menos do que o SUV novo, apesar de uma manutenção mais alta.
Quanto devo orçamentar por mês para um carro?
No nosso exemplo, um SUV compacto novo fica em cerca de 543 € por mês com tudo incluído — combustível, seguro, manutenção, impostos e a perda de valor; um usado sem crédito ronda os 471 €. O dinheiro que sai mesmo da conta é bem menos, porque a perda de valor só se paga no dia da venda. A calculadora deste artigo dá a cifra exata para o seu carro a partir de seis números que já tem.
Andar mais faz o quilómetro ficar mais barato?
Sim, até certo ponto. A perda de valor, o seguro, o IUC e a IPO são praticamente fixos, por isso um carro com 5 000 km por ano pode custar o dobro por quilómetro do que o mesmo carro com 15 000 — no nosso exemplo, 1,03 € contra 0,43 €. Acima de cerca de 20 000 km por ano a curva volta a achatar-se, porque a quilometragem passa a alimentar a manutenção e a perda de valor. É por isso que o segundo carro da casa, o que passa a maior parte do tempo parado, costuma ser o mais caro por quilómetro de tudo o que a família possui.
O elétrico ou o híbrido são mais baratos do que a gasolina?
Depende do que se mede. Nos EUA, segundo a AAA, um elétrico custa mais 29% por ano do que o equivalente a gasolina, por causa de uma perda de valor quase dupla, apesar de a carga em casa sair 66–70% mais barata por quilómetro. Na Alemanha, o ADAC encontra o elétrico a ganhar à tarifa doméstica e a perder nos carregadores públicos rápidos. Na União Europeia, o ICCT estima os elétricos cerca de um terço mais baratos a andar mesmo para quem só carrega em rede pública. Os híbridos são, nos três estudos, a opção mais consistentemente competitiva.
Como calculo o custo por quilómetro do meu carro?
Some tudo o que o carro custou num ano — combustível do registo de abastecimentos, seguro, manutenção e pneus, IUC e IPO, portagens e estacionamento — e acrescente a perda de valor do ano, isto é, o preço do carro há um ano menos o preço agora. Divida pelos quilómetros que o odómetro somou. Ao fim de um ano de registo, a cifra torna-se fiável; o Brimly calcula-a continuamente a partir dos abastecimentos e das despesas que regista.
O que fica#
Não há um número oficial único para o custo do carro por quilómetro em Portugal — mas o seu não precisa de um. No nosso exemplo, um SUV compacto novo sai a 0,43 € por quilómetro, e um usado sem crédito a 0,38 €; a diferença não está no combustível, está na perda de valor, no seguro e nos juros — as linhas fixas que um preço maior, uma posse mais curta e menos quilómetros por ano tornam piores. Calcule o seu carro pelos seis números acima, vigie o bloco fixo, e deixe o número por quilómetro — não o preço de tabela nem a prestação mensal — decidir a próxima compra. O Brimly mantém esse número atualizado no seu iPhone: cada abastecimento a partir do talão em três segundos, cada outra despesa no mesmo registo, e um custo por quilómetro que se atualiza sozinho.